Jailton Delogo em arte sobre acessibilidade, inclusão e participação política
Jailton Delogo defende maior presença de propostas sobre acessibilidade e inclusão no debate eleitoral.

Auditor do TCE-RO, comunicador e pessoa com deficiência visual defende que o tema vá além do discurso eleitoral e seja tratado com propostas objetivas pelos candidatos

Em meio ao período eleitoral, quando candidatos apresentam propostas para áreas como saúde, educação, segurança, infraestrutura e esporte, Jailton Delogo chama atenção para a necessidade de ampliar o debate sobre acessibilidade e inclusão das pessoas com deficiência.

Auditor de Controle Externo do Tribunal de Contas do Estado de Rondônia (TCE-RO), Delogo também apresenta o quadro “Momento da Inclusão”, da Rede Amazônica, no qual aborda temas relacionados aos direitos das pessoas com deficiência. Ele é pessoa com deficiência visual.

Para o comunicador, os candidatos precisam ir além de manifestações genéricas de apoio à inclusão e apresentar propostas objetivas, indicando quais medidas pretendem adotar e quais serão suas prioridades.

“Não queremos ser lembrados apenas na eleição. Queremos propostas, compromisso e participação”, afirma.

Segundo Delogo, questões como calçadas e rampas acessíveis, transporte adaptado, comunicação em Libras e acesso ao esporte e ao lazer precisam integrar com maior clareza os compromissos apresentados durante a campanha.

Ele também destaca que o planejamento de obras públicas deve considerar as diferentes necessidades da população.

“Não adianta construir uma calçada bonita, se uma pessoa em cadeira de rodas não consegue passar. Não adianta falar em transporte público se ele não oferece condições adequadas de acessibilidade”, ressalta.

Propostas e diálogo

Outro ponto levantado pelo auditor é a necessidade de os candidatos detalharem o que pretendem fazer em áreas diretamente relacionadas à vida das pessoas com deficiência.

Na avaliação dele, propostas envolvendo mobilidade, educação, trabalho, esporte, lazer, saúde e participação social precisam ser apresentadas de forma clara, permitindo que o eleitor conheça o posicionamento e os projetos de cada candidatura.

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Delogo ressalta, porém, que sua manifestação não significa afirmar que todos os candidatos deixam a pauta de lado.

“Não estou dizendo que todos os candidatos ignoram essa questão. O que estou dizendo é que precisamos avançar. Precisamos de mais propostas e de mais diálogo com quem vive essa realidade diariamente”, explica.

Para ele, a construção de políticas públicas também passa pela aproximação permanente com pessoas com deficiência, familiares, instituições e associações.

Visitas e conversas durante o período eleitoral são consideradas importantes, mas, segundo o comunicador, o diálogo não deveria ficar restrito às eleições.

“É preciso ouvir essas pessoas antes, durante e depois da campanha”, defende.

Na avaliação de Delogo, ouvir quem enfrenta diariamente problemas relacionados à falta de acessibilidade pode contribuir para a elaboração de políticas públicas mais adequadas às necessidades dessa população.

Participação política

O comunicador também destaca a importância da participação das próprias pessoas com deficiência e de suas famílias no debate público.

Segundo ele, o eleitor deve observar o histórico e as propostas apresentadas pelos candidatos antes de definir seu voto, inclusive buscando saber quais medidas são defendidas para acessibilidade e inclusão.

“Nosso lugar não é onde querem nos colocar. Nosso lugar é onde podemos chegar. E nós podemos chegar muito mais longe quando estamos unidos”, afirma.

Ao concluir, Delogo afirma que a reivindicação não é por privilégios, mas por condições que garantam participação plena das pessoas com deficiência na sociedade.

“Não queremos privilégios. Queremos respeito, oportunidade, autonomia e direitos”, conclui.

A manifestação busca ampliar o debate sobre acessibilidade e inclusão durante o período eleitoral e incentivar que as candidaturas apresentem, de forma objetiva, quais políticas pretendem desenvolver para as pessoas com deficiência.

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Redação